
Ontem perdi minha terceira perna. Apaixonei-me. Descobri que preciso de duas pernas só, para caminhar. Minha terceira perna me fazia um tripé preso ao chão. Mas fiquei perdida. E isso é ótimo... Todavia, é difícil caminhar sem saber se há uma saída. Por que temos que fazer tudo pensando num jeito de sair? Por que não podemos só Entrar?
Se tiver coragem, me deixarei continuar perdida. Mas tenho medo do que é novo, e tenho medo de viver o que não entendo – quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação. Como se explica que o meu maior medo seja exatamente em relação: a ser? E, no entanto não há outro caminho. Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo? Como é que se explica que eu não tolere ver, só por que a vida não é o que eu pensava e sim outra – como se antes eu tivesse sabido o que era!
Tiê - 24/5/2010

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